Giulia Campanha
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Meu suporte
Perder você me faz sentir como se tivessem retirado a peça suporte de tudo que construí, quando toquei tudo simplesmente desabou e eu não pude fazer nada porque você não estava lá para me ajudar a segurar. Talvez eu tenha construído algo pesado demais para você suportar e agora não sei como tornar tudo leve o bastante para você voltar. Rearranjar tudo só torna as coisas iguais, insuportáveis, reconstruir exige peças novas inclusive as de suporte, eu só gostaria de reformar, mas não sei quais os destroços devem ser aproveitados se você não me disser. Vou começar me reciclando, me dê créditos por isso, não é fácil admitir que precisa ser refeito, que não é bom o bastante.
domingo, 3 de julho de 2011
De costas a você
Deve ser a hora de deixa-lo ir, pois já o sinto longe; cuidei de você o quanto pude, tentei protege-lo de todos e até de mim mesma. Você não sabe o quanto é difícil fazer isto, virar as costas a quem dediquei vida e alma para ver bem, mas se eu não o fizer você se sentirá obrigado a estar junto a mim por gratidão. Você tem caráter demais para simplesmente ir, por isso vou eu. Amo-o demais para deixa-lo nesta gaiola de moralidade. Vou andando carregando o corpo pesado que não deseja sair de sua órbita, vou devagar para que você não note e tente me impedir. Quando perceber, já estarei longe demais para o ouvir chamar-me de volta. Você não precisa mais de um anjo da guarda e sim aprender valores sozinho. Eu o protegi por ama-lo e você me amou por comodidade, só você não sabe disso.Giulia Campanha
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Eu sei o desfecho
Essa nossa história que me aflige e me confunde, cheia de vírgulas que me permitem pequenos suspiros enquanto fico a espera de um ponto final. Você muda, distorce e retorce os fatos fazendo do meu personagem a fonte de todo drama. Esse seu humor negro que brinca e se diverte com tanto sentimento faz com que nessa nossa história haja uma sátira ao amor escrita nas estrelinhas, há sempre o tolo que se entrega a um verbo não correspondido e o realista que enfatiza o quanto amar se tornou um verbo comum e característico de um sujeito perdido que vaga iludido. Pode achar que estou iniciando um novo capítulo dramático, mas a verdade é que estou acabando com todo o suspense ao dizer que sei o final de tudo: você terá se divertido e eu terei me tornado seu reflexo, alguém inseguro ao ponto de ser incapaz de recomeçar e aceitar que faz bem viver com o amor. Saí ferida tão profundamente que me tornei aquilo que eu não gostava em você e talvez faça isso com alguém, tornando tudo um ciclo vicioso. Amores correspondidos são impossíveis e os possíveis são desvalorizados.
Giulia Campanha
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